Através de várias leituras com diversos autores que destacam a questão urbana e o fenômeno da urbanização, ou seja, a cidade, é que construímos nosso referencial teórico. Ressaltam-se desta forma as transformações que ocorreram no núcleo urbano do município de Igarapé Grande - MA no período delimitado por esta proposta de investigação científica.
Com o processo de globalização e urbanização o espaço urbano começa a se desenvolver dentro do modo capitalista de produção, com ampliação do comercio local. Para Cavalcanti (2001, p. 15): “a cidade é um espaço geográfico, é um conjunto de objetos e de ações, mas entendendo que ela expressa esse espaço, como de existência de pessoas, não apenas como arranjo de objetos, tecnicamente orientado”.
A cidade é vista como um local onde se encontram: pessoas, casas, praças, carros, motos, escolas, hospitais etc., mas para que isso seja uma cidade é preciso o desenvolvimento das categorias de paisagens existentes ou compreender a diferença em espaço urbano e espaço rural. Num clássico sistema de objetos e ações, fixos e fluxos (SANTOS, 1999 e 2008).Ao discorrer sobre a diferenciação das cidades em seus diversos níveis Souza (2005, p. 24) destaca que:
A cidade é um objeto muito complexo e, por isso mesmo, muito difícil de definir. Como não estou falando de um determinado tipo de cidade, em um momento histórico particular, é preciso ter em mente aquilo que uma cidade da mais remota antiguidade e das cidades contemporâneas como, digamos, Cairo, Nova Iorque e Tóquio, mas também uma pequena cidade do interior brasileiro (“ uma dessas cidades tão pacatas que nem têm lugares que não devam ser freqüentados” para recordar uma frase do humorista Millôr Fernandes), tem em comum, para encontrar uma definição que dê conta dessa imensa variação de casos concretos.
Segundo Corrêa (2000, p. 09) “o espaço urbano é simultaneamente fragmentado e articulado: cada uma de suas partes mantém relações espaciais com as demais, ainda que a intensidade muito variável”. Ao enfatizar as transformações urbanas, Carlos (2007, p. 187-188):
Nesta perspectiva, a vida urbana revela que as mudanças, nas duas últimas décadas, ocorrem numa velocidade maior do que a duração da vida do cidadão, trazendo, como consequência, a implosão dos referenciais que sustentam a vida, criando-lhe outros significados. Principalmente vivenciado nas grandes cidades, neste processo rápido de mudança, faz com que os cidadãos vivam um processo de estranhamento em relação à cidade que parece como caos e desordem.
Para a relação com a dinâmica socioespacial é dada para as pessoas e veículos que ao se deslocarem de suas residências em processo de fluxo contínuo e repetido em diversas vezes no cotidiano das pessoas causam, por exemplo, nas principais cidades do país, engarrafamentos onde tais cidades são obrigadas a parar. Ainda neste sentido, destaca-se a fala de Abreu (2003, p. 97):
É preciso também que reconheçamos que os processos sociais que ocorrem no presente das cidades, e que dão sentido as formas e ali estão, precisam – eles também – ser inseridos em múltiplas escalas temporais. Se o tempo do evento, do acontecimento, do imediato, é aquele mais nos chama a atenção, por estar mais próximo de nós, para ser materializado em paisagens e representações que são rapidamente captadas pelos nossos sentidos, ou alterar a nossa vida cotidiana.Neste cenário de produção e reprodução do espaço urbano, como podemos definir o espaço urbano de uma cidade onde a sua população vive da agricultura local? Onde vários pais de família migram para o espaço rural para o cultivo do arroz, feijão, e milho e outros tipos de alimentos. Mas, como isso, a cidade conseguiu seu desenvolvimento local com a própria agricultura, a pecuária, e a área logística.
A cidade para alguns autores é apresentada na complexidade de seu crescimento ou pelo processo de aglomeração da população exata de um determinado local, onde são construídos vários bairros mais distantes do centro da cidade. Observa-se que tal fato vem ocorrendo em Igarapé Grande-MA nos últimos anos, devido à aglomeração populacional e expansão territorial do seu núcleo, foram criadas varias vilas, onde as pessoas que ali vivem não sabem exatamente se estão habitando no espaço urbano ou urbano rural do referido município.
Segundo Veiga (2003, p. 35): “mesmo que se acrescente ao Brasil urbano todos os municípios intermédios, considerando-se como vilas de tipos rurbano que poderão se transformar em centros urbanos”. Onde cada vila ou cidade basta apenas o desenvolvimento econômico, social, ambiental, político, mas principalmente na parte econômica populacional, com a aglomeração e expansão da população.
Como vários problemas que ocorrem numa cidade nas questões de saneamento básico, infra-estrutura, saúde, educação, entre outros fatores, que ocorre na transformação de uma cidade quando se torna planejada, caso o contrário, quando isso ocorre à população passa por necessidade muita agravante que próprio poder público sofre conseqüências nessa questão política.
Já para Carlos (2005, p. 41-42):
A cidade apresenta-se como um fenômeno concentrado e contraditório, fundamentado numa complexa divisão espacial do trabalho; uma aglomeração que tem em vistas o processo de produção norteado pelo trabalho assalariado, pela socialização do trabalho, pela concentração dos meios de produção e pela apropriação privada.Precisa-se de uma definição como a globalização se encontra através da reprodução do espaço urbano, onde ocorrem diversas mudanças para uma cidade, mas moderna, ou seja, uma cidade do século XXI. Neste sentido, é importante pesquisar sobre o município de Igarapé Grande – MA, relatando o seu processo de expansão urbana e a reconfiguração socioespacial pelo qual o referido município passou no período de 1962 a 2010.
3.1 O Espaço urbano e o fenômeno da urbanização
Para podermos definir o espaço urbano, temos que primeiro saber a importância do espaço, um espaço vivido e adotado de significado, uma realidade construída através de uma base na convivência com os próprios moradores do local habitado. O termo mais específico, que é dado ao lugar um espaço que pode ser definido e delimitado a partir da relação de poder.
Mas já para Lefebvre (1999, p. 28) o urbano define-se:
[...] não como realidade acabada, situada, em relação à realidade atual, de maneira recuada no tempo, mas, ao contrário, como horizonte, como virtualidade iluminadora. O urbano é o possível, definido por uma direção, no fim do percurso que vai em direção a ele. Para atingi-lo, isto é, para realizá-lo, e preciso em principio contornar ou romper os obstáculos que atualmente o tornam impossível.
O crescimento do urbano cada vez mais preocupa a população através do mau planejamento do local desde que as cidades explicitam o crescimento desordenado e a desigualdade social está expressa fortemente no processo de urbanização. Segundo Corrêa (2000, p. 07) “o espaço urbano é simultaneamente fragmentado e articulado: cada uma de suas partes mantém relações espaciais com as demais, ainda que de intensidade muito variável”.
Para um espaço ser urbano, ele precisa ser um conteúdo de materialização das relações sociais, um lugar de habitação das pessoas, enquanto realização social e histórica, lócus das manifestações sociais.
Segundo Corrêa (2000, p. 09) “eis o que é o espaço urbano: fragmentado e articulado, reflexo e condicionalmente social, um conjunto de símbolos e campos de lutas. É assim a própria sociedade em uma de suas dimensões, aquela mais aparente, materializado, nas formas espaciais. É este o nosso o objeto de estudo”.
No entanto, para Lefebvre (1999), espaço e tempo aparecem como abstrações concretas, pois entra na prática social como modo de existência real. O uso se torna mistificador e o cidadão se transforma em um simples usuário que se resume a reivindicar o bom funcionamento dos serviços. Nessa perspectiva, o cidadão não percebe que assim “reduzindo-se, afogou-se todo no supérfluo e não vive de outra forma”.
O urbano termo diferente para urbanização e crescimento urbano, ligam-se, mas não tem o mesmo significado. O termo urbanização torna-se útil em inúmeras vezes apenas nas questões de estruturas sociais urbanas, por exemplo, na questão de habitação. Por isso o espaço é assim desorganizado e organizado ao mesmo tempo, a partir das duas partes dinâmicas.
Conforme enfatiza Oliveira Vianna (1966, p. 55):
[...] O urbanismo é condição moderníssima da nossa evolução social. Toda a nossa historia é a historia de um povo agrícola, é a historia de uma sociedade de lavradores e pastores. É o campo que se forma a nossa raça e se elaboram as forças intimas de nossa civilização. O dinamismo da nossa historia, no período colonial, vem do campo. Do campo, as bases em que assenta a estabilidade admirável da nossa sociedade no período coloniaal.
A cidade é vista como o centro de todo o processo administrativo e onde abriga maior parte da população. De centro de produção e consumo passa a líder no processo de inovação econômica e tecnológica. O professor Carlos Vainer, assim resume:
A era em que vivemos é marcada pelo embate entre duas utopias urbanas. De um lado tem-se a utopia da cidade-empresa, da cidade-mercadoria, da cidade-negócio. Com essa utopia afirma-se a cidade do marketing, a cidade consensual que repudia qualquer debate aberto e teme o conflito. De outro, tem-se a utopia da cidade democrática. Em vez que denominada pelo mercado e pela mercadoria, é dirigida pela política. Nela, o conflito, em vez de ser temido, é desejado, pois é visto como elemento fundamental da transformação da cidade. Nela os citadinos não são vistos nem como espectadores das realizações de um prefeito iluminado, nem como simples consumidores da mercadoria urbana. Seus habitantes são pensados como cidadãos em construção, que ao se construírem, constroem também a cidade (VAINER, 2003, p. 30).
A cidade é formada por diversos processos mais gerais e que se interagem com a dinâmica interna das próprias cidades, se organizando em face da produção. E a forma como as pessoas encontram seu lugar, em cada momento, dentro da cidade, se torna ainda o meio de trabalho para a maior parte da população ativa e o meio de existência para a maior parte das pessoas.
Segundo Carlos (2007, p. 57):
A cidade é uma realização humana, uma criação que vai se constituindo ao longo do processo histórico e que ganha materialização concreta, diferenciada, em função de determinações históricas especificas. Hoje muitos afirmam que o mundo se torna urbano devido ao rápido crescimento das cidades modernas e a transformação de vastas áreas em aglomerados urbanos, um mundo que se torna em muitos aspectos práticos (no dizer de Mumford), de uma cidade. A cidade, em cada uma das diferentes etapas históricas, assume formas, características e funções distintas.A cidade nasce de várias formas umas delas é a necessidade de definição do espaço, isso só é necessário através da articulação da sociedade global, onde se pode colocar a organização política, e do poder da sociedade em conjunto. Para a entendimento da história de uma cidade é preciso ter compreensão da natureza, de sua formação e reprodução socioespacial.
Carlos (1994, p. 159-160) explica que:
O espaço deixa de ser natural, isto é, apesar de guardar sua dimensão natural; a dimensão social assume papel preponderante, abrindo novas perspectivas para a geografia. Pensar o espaço urbano enquanto produto social significa que o produto deve, necessariamente. Ser constituído no conjunto de suas relações, e o isolamento de um momento do todo só pode ocorrer pela mediação de outro objeto que não é completamente isolável. O todo social é dado como organização pratica. E a unidade do mundo constitui o plano humano. A noção de cidade evolui. De organismo funcional passa a ser entendida a apartir da idéia de trabalho materializado, enquanto elemento de uma totalidade espacial, marcada o limite entre cidade e o urbano.A autora fala que a partir do momento que é habitado qualquer local, deixa de ser natural e passa a ser modificado é o caso de uma cidade que sofre a transformação desde o momento que é lugarejo até uma vila, e logo após cidade. Na ocasião a mesma apresenta um amplo debate acerca do que é cidade e urbano, através de vários conceitos distintos sobre a temática.
3.2 Território e territorialidade
Em uma cidade existem diferentes territorialidades, devido às apropriações distintas que caracterizam o local habitado, dando a identidade criada por seus cidadãos e das possibilidades futuras, a onde vai se revelando os elementos que forma e que vão dá sentido à sua materialização, e isso é a territorialidade esta que tem origem social. E constituída através da estreita relação com a identidade que vem com localização física.
De acordo com Haesbaert (2004, p. 74):
[...] encontramos aqui um outro debate muito relevante: aquele que envolve a leitura de território como espaço que não pode ser considerando nem estritamente natural, nem unicamente político, econômico ou cultural. Território só poderia ser concebido através de uma perspectiva integradora entre diferentes dimensões sociais (e da sociedade com a própria natureza).
Para a Geografia o conceito de território ou de territorialidades está ligado ao espaço geográfico humano, ou seja, as diferentes noções sobre território são destacadas como política, cultural e econômica. E deve ser usado na dimensão que propõe algumas formas de interpretação do conceito.
O território brasileiro é subdivido em unidades políticas administrativas abrangendo os diversos níveis de administração: federal, distrital, estadual e municipal. Esta divisão denomina-se Divisão Política Administrativa (DPA). Essas unidades são criadas através de legislação própria, na qual estão discriminadas sua denominação e informações que definem o perímetro da unidade.
3.3 Município
Para chegarmos a uma definição do que seria município, podemos primeiramente recorrer a um de seus sinônimos. Este seria sinônimo de unidade territorial que compõe o pacto federativo. A zona rural é formada pelos povoados e distritos rurais. O município surge por uma necessidade de expansão territorial e de delimitação da cidade no momento de desenvolvimento ou de crescimento. Para a definição de município, Meirelles (1957, p. 70) ao destacar o artigo 87 da Constituição de Alagoas evidencia que: “município é a circunscrição do território do Estado na quais cidadãos, associados pelas relações comuns de localidade, de trabalho e de tradições, vivem sob uma organização livre e autônoma, para fins de economia, administração e cultura”.
Já a Constituição do Estado do Maranhão de 1989 em seu artigo 141 versa que: “o Município, unidade territorial com autonomia política, administrativa e financeira, organiza-se e rege-se pelos termos da Constituição Federal, desta Constituição e da respectiva Lei Orgânica.
A estrutura do município é representada em números limitados, onde quem governará é o representado pelos poderes Executivo, exercido pelo prefeito, e Legislativo, sediado na câmara municipal (também chamada de câmara de vereadores) onde é criado projetos e leis para a melhoria da cidade.
Ao mesmo tempo o município é considerado um agrupamento de pessoas variadas com suas obrigações, direitos e deveres dos cidadãos. Veiga (2007, p. 135): “propõe que os municípios brasileiros sejam separados em cinco escalões... mediante combinação do tamanho e da densidade populacional”
.
3.4 Zona Urbana
É necessário ter um marco teórico sobre a definição de área urbana. Entretanto deve-se observar o desenvolvimento de diversos fatores como: a globalização, capitalismo, e a ampliação do comercio local, no sentido de definir uma área urbana. Assim para Corrêa (2000 p. 07):
[...] como centros da cidade, local de concentração de atividades comerciais, de serviços e de gestão, áreas indústrias, áreas residências distintas em termos de formas e conteúdo social e de lazer e, entre outras, aquelas de reserva para futura expansão. Este complexo conjunto de usos da terra é, em realidade, a organização espacial da cidade ou, simplesmente, o espaço urbano, que aparece assim como espaço fragmentado.
A zona urbana é constituída por um universo de delimitação da própria cidade, ou que seja considerada, pois suas características sendo diretas ou indiretas. Tendo assim em seu conteúdo a produção da vida humana, e ao mesmo a possibilidade de apropriação do local.
Para observar as diversas mudanças que podem ocorrer em uma área urbana ao decorrer dos tempos nos aspectos de desenvolvimento econômico, social e político de uma cidade é preciso que haja uma discussão conceitual das categorias que permeiam essas transformações. Com isso tudo surgiu o desenvolvimento urbano onde é diferenciado a própria expansão do urbano e a complexidade do fator de apoio do crescimento econômico e da modernização tecnológica que aparece no aumento da área urbana. Segundo Carlos (2007, p. 47):
As formas cambiantes da grande cidade que se expressam nas interdições e transformações, nos usos dos lugares, criam, portanto, um processo de „estranhamento/reconhecimento‟. A transformação na grande cidade é marcada pela queda dos referenciais, pelo desaparecimento das marcas do passado histórico lido na paisagem, presenciada na vida cotidiana (que ocorre com a destruição dos bairros, com a construção das vias de trânsito rápido, com a produção de edifícios) como aponta Baudelaire. As formas urbanas se transformam, redefinindo os passos, criando ausências, revelando-se enquanto negação da identidade em função das destruições dos referenciais urbanos que sustentam a vida e a memória.
Os diversos problemas que ocorrem hoje nas áreas urbanos são muitos complexos devido o processo de urbanização desordenada com a falta de saneamento nas redes publica, saúde, educação, entre outros fatores que preocupação a população de cidade.
3.5 Zona Rural
Vários autores abordam que o rural é tudo aquilo que está fora da linha periférica urbana, a Organização Comercial de Desenvolvimento e Economia (OCDE) considera rurais as localidades que tenham densidade populacional inferior a 150 hab./km² (ou, no caso especifico do Japão, 500 hab./km²). Conforme esta definição, cerca de um terço (35%) da população da OCDE vive em espaços rurais que cobrem mais de 90% de seu território. A zona rural é considerado devido numero da população de habitantes onde que varias partes são divididas por vilas, lugarejos etc. Segundo Veiga (2007, p. 146):
Em primeiro lugar, é preciso que seja enfatizando que o Brasil é mais rural do que oficialmente se calcula, pois a essa dimensão pertencem 80% dos municípios e 30% da população. Um atributo que nada envolve de negativo, já que algumas das principais vantagens competitivas do século XXI dependerão da força de economias rurais. São estas as duas principais conclusões a que se chega quando se analisa a atual configuração territorial do país tendo presente os mais recentes indicadores sobre o destino da ruralidade nas sociedades humanas mais avançadas. Para isso é preciso superar a abordagem dicotômica, mas sem cair na ilusão de que estaria desaparecendo a histórica contradição urbano-rural.
O Brasil apesar de ser um país com toda a sua aparência urbana ele é considerado rural devido sua riqueza agrícola principalmente com sua população onde 28% das regiões rurais são bastante remotas, e a maioria das pessoas vivem em delimitação territorial. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) considera urbana toda sua sede (cidade) e de distrito (vila), sejam quais forem suas características tanto estruturais ou funcionais.
De acordo com Veiga (2007, p. 134): “[...] as sedes dos 4.485 municípios do Brasil rural são vilarejos e as sedes dos 567 municípios intermédios são vilas, das quais apenas uma parte se transformará em novas cidades”.
Para se deduzir a zona rural de pequeno porte tem sofrido uma grande evasão populacional, devido à aglomeração onde são criados novos municípios com características rurais com crescimento populacional tão significativo para os diversos serviços da economia da localidade. Em outro caso a zona rural vem se desenvolvendo de forma que a economia crescem a cada instantes devido a produção (agricultura intensiva). A ruralidade traz consigo uma mudança na qualidade das três dimensões fundamentais da ruralidade: a relação com a natureza e além dela a relação rural urbano e as relações de proximidade (FAVARETO, 2006)
De acordo com os registros dos debates da 58ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (2006, p. 31)
Segundo Veiga para diferenciar áreas urbanas e rurais é preciso levar em conta alguns aspectos. Geralmente adota-se a perspectiva de que o urbano é um ecossistema ultra artificializado e rural é aquele intocado. Mas às vezes, pode ocorrer exatamente o contrario, como é o caso de áreas em que há agricultura intensiva”. Por isso, ele derrubou um dos argumentos comumente usados na classificação de áreas rurais; „a agricultura não pode servir como um critério de identificação do rural‟.
Para melhor esclarecimento do rural Prado Junior (2007, p. 53) diz que: “é na medida em que a grande exploração rural se expande e prospera, ou pelo contrario se retrai e entra em decadência, que inversamente o setor secundário se restringe (no primeiro caso), e no outro se estende e ganha terreno”. È que quando a grande exploração se fortalece e prospera, ou, em outras palavras, se torna rendoso 'negócio', ela tende a se ampliar e absorver um máximo de extensão territorial e a força de trabalho.
3.6 As Cidades Brasileiras
Para discutirmos a linha histórica das cidades brasileiras é preciso voltar ao inicio do século XX, sob a égide da linha desenvolvimentista, atrelada a industrialização, e a aceleração e a expansão de algumas cidades brasileiras, que deixaram de ser cidades rurais e passaram a ser cidades urbanas, com crescimento desordenado.
O Brasil é considerado um país com mais da metade da sua área rural, ou seja, tem em sua área 63% rural e apenas 37% são considerados urbanos ou zonas de transição, onde que os 63% esta incluída tanto as cidades grandes como as cidades de pequenos portes que através da industrialização está começando a se desenvolver (VEIGA, 2007).
Desta forma, a fim de nos levar a uma reflexão a respeito das cidades brasileiras na contemporaneidade, Carlos (2009, p. 32-33):
Refletir, hoje, sobre a cidade no Brasil significa pensá-la enquanto materialização do processo de “urbanização dependente”, em que as contradições emergem de modo mais gritante, e a acumulação da riqueza que caminha pari passou com a miséria, leva a um tipo de reivindicação diferenciada, se comparada àquelas emergentes nos países ditos desenvolvidos. A maior metrópole da America Latina, e principal cidade brasileira – São Paulo - são a expressão mais gritante do processo de reprodução da capital em nível mundial. Aqui 3 milhões de pessoas vivem em cortiços, 1,5 milhões em favelas e 60% das construções da cidade são feitas pelo sistema de autoconstrução.
Para que ocorresse um salto significativo para o desenvolvimento das cidades brasileiras a industrialização trouxe aspectos positivos no alcance das projeções e metas desenvolvimentista, sendo que este mesmo processo trouxe a tona aspectos negativos, como a migração das pessoas da zona rural para a zona urbana, ocasionando principalmente problemas relacionados à: habitação, infraestrutura, saneamento básico, poluição, desmatamento, desemprego e a desqualificação profissional.
Ressalta-se que parte desta problemática está diretamente ligada a ausência de planejamento urbano, devido ao crescimento urbano desordenado e a falta de políticas públicas condizentes.
Diante deste cenário Damiani (2001, p. 55) nos aponta que “a aceleração dos mecanismos da industrialização e de crescimento do capitalismo aparecerão como fatores de diferenciação do povoamento. Sua concentração radical é o resultado mais notável, isto é, o fenômeno das grandes cidades”. Com a ocupação do solo urbano surge a reprodução socioespacial, onde podemos observar as mudanças que ocorrem no Brasil no inicio do século XX, tanto que se refere às transformações de muitas cidades, quanto à realidade do crescimento, ou seja, da expansão territorial. Maricato (2000, p. 150) expõe que:
Embora a urbanização da sociedade brasileira se dê praticamente no século XX, sob o regime republicano, as raízes coloniais calcadas no pratimonialismo e nas relações de favor (mando coronelista) estão presentes nesse processo. A terra é um nó na sociedade brasileira... também nas cidades. A legislação é ineficaz quando contraria interesses de proprietários imobiliários ou quando o assunto são os direitos sociais.Da mesma forma, ao discorrer sobre o mundo globalizado e as metrópoles brasileiras Maricato (2001, p. 15) enfatiza que “o processo de urbanização recria o atraso através de novas formas, como contraponto a dinâmica de modernização”. Entende-se que o modelo de urbanização vigente no Brasil exclui/ segrega diversos grupos sociais em nome do progresso e da modernidade, uma justificativa sem fundamento para a ideologia de que o espaço urbano e a cidade pertencem a todos aqueles que o articulam e o fragmentam ao mesmo tempo (CORRÊA, 2000).
No entendimento de Carlos (2007, p.187):
No Brasil, através da reprodução do espaço urbano, podemos perceber as mudanças que ocorrem no mundo moderno, tanto no que se refere às transformações das cidades, quanto da vida urbana, pois a realidade urbana revela-se enquanto prática sócio-espacial. Significa dizer, que do ponto de vista da Geografia, o processo de urbanização não se explicita pelo simples crescimento da cidade – através do movimento migratório, ou do comportamento demográfico –, mas em seus conteúdos: o modo de vida urbano com seus valores culturais e suas novas relações espaço temporaisA migração das pessoas dos estados nordestinos, mineiros, paulistas e paraenses para a Região Centro-Oeste nos anos 60,70 e 80 foram muito concentrados nos estados de Goiás e no Distrito Federal, onde ocorreu um grande desenvolvimento para Brasileiro nesses anos. Segundo Santos (2009, p. 32):
Entre 1960 a 1980, a população vivendo nas cidades conhece aumento espetacular: cerca de cinqüenta milhões de novas habitantes, isto é, um número quase igual à população total do País em 1950. Somente entre 1970 e 1980, incorpora-se ao contingente demográfico urbano uma massa de gente comparável ao que era a população total urbana de 1960. Já entre 1980 e 1990, enquanto a população total terá crescido 26%, a população deve ter aumentado em mais de 40%, isto é, perto de trinta milhões de pessoas.
A população brasileira vive em sua aglomeração, principalmente com o avança da própria urbanização, que a revalorização do rural é freqüentemente devido à busca de uma melhoria de vida, e isso acontece em todo o país. Já para Singer (2002, p.136):
No Brasil, certas cidades do Norte e do Nordeste, como Belém e Fortaleza, têm crescido mais depressa, nos últimos, do que São Paulo. O capitalismo não dispõe de mecanismos, a mão ser a intervenção estatal, que obriguem o capital a se orientar para as áreas onde há disponibilidade de força de trabalho. Como a mobilidade de força de trabalho não é perfeita, o sistema acabou por adotar planos de desenvolvimento o regional que tem por finalidade precípua suscitar fluxos de capital para as áreas mais atrasadas.Com o aumento da população das cidades do Norte e Nordeste teve um crescimento devido o próprio desenvolvimento, tanto em questões industriais e turísticas para essas cidades. Ao discorrer sobre as problemáticas encontradas nas cidades brasileiras na atualidade Villaça (2003, p. 29) demonstra que:
A cidade brasileira é hoje o país. O Brasil está estampado nas suas cidades. Sendo o país, elas são a síntese das potencialidades, dos avanços e também dos problemas do país. Vamos falar dos problemas. Nossas cidades são hoje o locus da injustiça social e da exclusão brasileiras. Nelas estão a marginalidade, a violência, a baixa escolaridade, o precário atendimento à saúde, as más condições de habitação e transporte e o meio ambiente degradado. Essa é a nova face da urbanização brasileira.De forma a dar continuidade ao debate sobre o panorama atual das cidades brasileiras Schvasberg (2003, p. 53) explicita que:
Portanto, as cidades brasileiras como expressão do processo de urbanização elitista e truncada que caracteriza o desenvolvimento nacional apresentam, no geral, um alto grau de concentração espacial dos serviços, equipamentos e infra-estrutura pública; alta concentração de renda em bairros bem equipados e cada vez mais exclusivos. Aumento da ocupação irregular solo urbano; deslocamento da população de baixa renda para as áreas mais distantes do centro da cidade e desprovidas de urbanização ou para as áreas insalubres, como as encostas de morro; declínio das finanças municipais e da capacidade de o Estado intervir na cidade; deficiência do transporte coletivo público e acelerado crescimento da violência urbana, entre outros fenômenos.Com o crescimento desordenado das cidades brasileiras de uma forma geral, evidenciaram-se diversos tipos de irregularidades socioespaciais urbanas com a própria população. A urbanização cresce a todo o momento desde as cidades pequenas a grandes cidades, e com isso incluir os problemas trazidos com a transformação ou com desenvolvimento de um local habitado.
Com o processo de globalização e urbanização o espaço urbano começa a se desenvolver dentro do modo capitalista de produção, com ampliação do comercio local. Para Cavalcanti (2001, p. 15): “a cidade é um espaço geográfico, é um conjunto de objetos e de ações, mas entendendo que ela expressa esse espaço, como de existência de pessoas, não apenas como arranjo de objetos, tecnicamente orientado”.
A cidade é vista como um local onde se encontram: pessoas, casas, praças, carros, motos, escolas, hospitais etc., mas para que isso seja uma cidade é preciso o desenvolvimento das categorias de paisagens existentes ou compreender a diferença em espaço urbano e espaço rural. Num clássico sistema de objetos e ações, fixos e fluxos (SANTOS, 1999 e 2008).Ao discorrer sobre a diferenciação das cidades em seus diversos níveis Souza (2005, p. 24) destaca que:
A cidade é um objeto muito complexo e, por isso mesmo, muito difícil de definir. Como não estou falando de um determinado tipo de cidade, em um momento histórico particular, é preciso ter em mente aquilo que uma cidade da mais remota antiguidade e das cidades contemporâneas como, digamos, Cairo, Nova Iorque e Tóquio, mas também uma pequena cidade do interior brasileiro (“ uma dessas cidades tão pacatas que nem têm lugares que não devam ser freqüentados” para recordar uma frase do humorista Millôr Fernandes), tem em comum, para encontrar uma definição que dê conta dessa imensa variação de casos concretos.
Segundo Corrêa (2000, p. 09) “o espaço urbano é simultaneamente fragmentado e articulado: cada uma de suas partes mantém relações espaciais com as demais, ainda que a intensidade muito variável”. Ao enfatizar as transformações urbanas, Carlos (2007, p. 187-188):
Nesta perspectiva, a vida urbana revela que as mudanças, nas duas últimas décadas, ocorrem numa velocidade maior do que a duração da vida do cidadão, trazendo, como consequência, a implosão dos referenciais que sustentam a vida, criando-lhe outros significados. Principalmente vivenciado nas grandes cidades, neste processo rápido de mudança, faz com que os cidadãos vivam um processo de estranhamento em relação à cidade que parece como caos e desordem.
Para a relação com a dinâmica socioespacial é dada para as pessoas e veículos que ao se deslocarem de suas residências em processo de fluxo contínuo e repetido em diversas vezes no cotidiano das pessoas causam, por exemplo, nas principais cidades do país, engarrafamentos onde tais cidades são obrigadas a parar. Ainda neste sentido, destaca-se a fala de Abreu (2003, p. 97):
É preciso também que reconheçamos que os processos sociais que ocorrem no presente das cidades, e que dão sentido as formas e ali estão, precisam – eles também – ser inseridos em múltiplas escalas temporais. Se o tempo do evento, do acontecimento, do imediato, é aquele mais nos chama a atenção, por estar mais próximo de nós, para ser materializado em paisagens e representações que são rapidamente captadas pelos nossos sentidos, ou alterar a nossa vida cotidiana.Neste cenário de produção e reprodução do espaço urbano, como podemos definir o espaço urbano de uma cidade onde a sua população vive da agricultura local? Onde vários pais de família migram para o espaço rural para o cultivo do arroz, feijão, e milho e outros tipos de alimentos. Mas, como isso, a cidade conseguiu seu desenvolvimento local com a própria agricultura, a pecuária, e a área logística.
A cidade para alguns autores é apresentada na complexidade de seu crescimento ou pelo processo de aglomeração da população exata de um determinado local, onde são construídos vários bairros mais distantes do centro da cidade. Observa-se que tal fato vem ocorrendo em Igarapé Grande-MA nos últimos anos, devido à aglomeração populacional e expansão territorial do seu núcleo, foram criadas varias vilas, onde as pessoas que ali vivem não sabem exatamente se estão habitando no espaço urbano ou urbano rural do referido município.
Segundo Veiga (2003, p. 35): “mesmo que se acrescente ao Brasil urbano todos os municípios intermédios, considerando-se como vilas de tipos rurbano que poderão se transformar em centros urbanos”. Onde cada vila ou cidade basta apenas o desenvolvimento econômico, social, ambiental, político, mas principalmente na parte econômica populacional, com a aglomeração e expansão da população.
Como vários problemas que ocorrem numa cidade nas questões de saneamento básico, infra-estrutura, saúde, educação, entre outros fatores, que ocorre na transformação de uma cidade quando se torna planejada, caso o contrário, quando isso ocorre à população passa por necessidade muita agravante que próprio poder público sofre conseqüências nessa questão política.
Já para Carlos (2005, p. 41-42):
A cidade apresenta-se como um fenômeno concentrado e contraditório, fundamentado numa complexa divisão espacial do trabalho; uma aglomeração que tem em vistas o processo de produção norteado pelo trabalho assalariado, pela socialização do trabalho, pela concentração dos meios de produção e pela apropriação privada.Precisa-se de uma definição como a globalização se encontra através da reprodução do espaço urbano, onde ocorrem diversas mudanças para uma cidade, mas moderna, ou seja, uma cidade do século XXI. Neste sentido, é importante pesquisar sobre o município de Igarapé Grande – MA, relatando o seu processo de expansão urbana e a reconfiguração socioespacial pelo qual o referido município passou no período de 1962 a 2010.
3.1 O Espaço urbano e o fenômeno da urbanização
Para podermos definir o espaço urbano, temos que primeiro saber a importância do espaço, um espaço vivido e adotado de significado, uma realidade construída através de uma base na convivência com os próprios moradores do local habitado. O termo mais específico, que é dado ao lugar um espaço que pode ser definido e delimitado a partir da relação de poder.
Mas já para Lefebvre (1999, p. 28) o urbano define-se:
[...] não como realidade acabada, situada, em relação à realidade atual, de maneira recuada no tempo, mas, ao contrário, como horizonte, como virtualidade iluminadora. O urbano é o possível, definido por uma direção, no fim do percurso que vai em direção a ele. Para atingi-lo, isto é, para realizá-lo, e preciso em principio contornar ou romper os obstáculos que atualmente o tornam impossível.
O crescimento do urbano cada vez mais preocupa a população através do mau planejamento do local desde que as cidades explicitam o crescimento desordenado e a desigualdade social está expressa fortemente no processo de urbanização. Segundo Corrêa (2000, p. 07) “o espaço urbano é simultaneamente fragmentado e articulado: cada uma de suas partes mantém relações espaciais com as demais, ainda que de intensidade muito variável”.
Para um espaço ser urbano, ele precisa ser um conteúdo de materialização das relações sociais, um lugar de habitação das pessoas, enquanto realização social e histórica, lócus das manifestações sociais.
Segundo Corrêa (2000, p. 09) “eis o que é o espaço urbano: fragmentado e articulado, reflexo e condicionalmente social, um conjunto de símbolos e campos de lutas. É assim a própria sociedade em uma de suas dimensões, aquela mais aparente, materializado, nas formas espaciais. É este o nosso o objeto de estudo”.
No entanto, para Lefebvre (1999), espaço e tempo aparecem como abstrações concretas, pois entra na prática social como modo de existência real. O uso se torna mistificador e o cidadão se transforma em um simples usuário que se resume a reivindicar o bom funcionamento dos serviços. Nessa perspectiva, o cidadão não percebe que assim “reduzindo-se, afogou-se todo no supérfluo e não vive de outra forma”.
O urbano termo diferente para urbanização e crescimento urbano, ligam-se, mas não tem o mesmo significado. O termo urbanização torna-se útil em inúmeras vezes apenas nas questões de estruturas sociais urbanas, por exemplo, na questão de habitação. Por isso o espaço é assim desorganizado e organizado ao mesmo tempo, a partir das duas partes dinâmicas.
Conforme enfatiza Oliveira Vianna (1966, p. 55):
[...] O urbanismo é condição moderníssima da nossa evolução social. Toda a nossa historia é a historia de um povo agrícola, é a historia de uma sociedade de lavradores e pastores. É o campo que se forma a nossa raça e se elaboram as forças intimas de nossa civilização. O dinamismo da nossa historia, no período colonial, vem do campo. Do campo, as bases em que assenta a estabilidade admirável da nossa sociedade no período coloniaal.
A cidade é vista como o centro de todo o processo administrativo e onde abriga maior parte da população. De centro de produção e consumo passa a líder no processo de inovação econômica e tecnológica. O professor Carlos Vainer, assim resume:
A era em que vivemos é marcada pelo embate entre duas utopias urbanas. De um lado tem-se a utopia da cidade-empresa, da cidade-mercadoria, da cidade-negócio. Com essa utopia afirma-se a cidade do marketing, a cidade consensual que repudia qualquer debate aberto e teme o conflito. De outro, tem-se a utopia da cidade democrática. Em vez que denominada pelo mercado e pela mercadoria, é dirigida pela política. Nela, o conflito, em vez de ser temido, é desejado, pois é visto como elemento fundamental da transformação da cidade. Nela os citadinos não são vistos nem como espectadores das realizações de um prefeito iluminado, nem como simples consumidores da mercadoria urbana. Seus habitantes são pensados como cidadãos em construção, que ao se construírem, constroem também a cidade (VAINER, 2003, p. 30).
A cidade é formada por diversos processos mais gerais e que se interagem com a dinâmica interna das próprias cidades, se organizando em face da produção. E a forma como as pessoas encontram seu lugar, em cada momento, dentro da cidade, se torna ainda o meio de trabalho para a maior parte da população ativa e o meio de existência para a maior parte das pessoas.
Segundo Carlos (2007, p. 57):
A cidade é uma realização humana, uma criação que vai se constituindo ao longo do processo histórico e que ganha materialização concreta, diferenciada, em função de determinações históricas especificas. Hoje muitos afirmam que o mundo se torna urbano devido ao rápido crescimento das cidades modernas e a transformação de vastas áreas em aglomerados urbanos, um mundo que se torna em muitos aspectos práticos (no dizer de Mumford), de uma cidade. A cidade, em cada uma das diferentes etapas históricas, assume formas, características e funções distintas.A cidade nasce de várias formas umas delas é a necessidade de definição do espaço, isso só é necessário através da articulação da sociedade global, onde se pode colocar a organização política, e do poder da sociedade em conjunto. Para a entendimento da história de uma cidade é preciso ter compreensão da natureza, de sua formação e reprodução socioespacial.
Carlos (1994, p. 159-160) explica que:
O espaço deixa de ser natural, isto é, apesar de guardar sua dimensão natural; a dimensão social assume papel preponderante, abrindo novas perspectivas para a geografia. Pensar o espaço urbano enquanto produto social significa que o produto deve, necessariamente. Ser constituído no conjunto de suas relações, e o isolamento de um momento do todo só pode ocorrer pela mediação de outro objeto que não é completamente isolável. O todo social é dado como organização pratica. E a unidade do mundo constitui o plano humano. A noção de cidade evolui. De organismo funcional passa a ser entendida a apartir da idéia de trabalho materializado, enquanto elemento de uma totalidade espacial, marcada o limite entre cidade e o urbano.A autora fala que a partir do momento que é habitado qualquer local, deixa de ser natural e passa a ser modificado é o caso de uma cidade que sofre a transformação desde o momento que é lugarejo até uma vila, e logo após cidade. Na ocasião a mesma apresenta um amplo debate acerca do que é cidade e urbano, através de vários conceitos distintos sobre a temática.
3.2 Território e territorialidade
Em uma cidade existem diferentes territorialidades, devido às apropriações distintas que caracterizam o local habitado, dando a identidade criada por seus cidadãos e das possibilidades futuras, a onde vai se revelando os elementos que forma e que vão dá sentido à sua materialização, e isso é a territorialidade esta que tem origem social. E constituída através da estreita relação com a identidade que vem com localização física.
De acordo com Haesbaert (2004, p. 74):
[...] encontramos aqui um outro debate muito relevante: aquele que envolve a leitura de território como espaço que não pode ser considerando nem estritamente natural, nem unicamente político, econômico ou cultural. Território só poderia ser concebido através de uma perspectiva integradora entre diferentes dimensões sociais (e da sociedade com a própria natureza).
Para a Geografia o conceito de território ou de territorialidades está ligado ao espaço geográfico humano, ou seja, as diferentes noções sobre território são destacadas como política, cultural e econômica. E deve ser usado na dimensão que propõe algumas formas de interpretação do conceito.
O território brasileiro é subdivido em unidades políticas administrativas abrangendo os diversos níveis de administração: federal, distrital, estadual e municipal. Esta divisão denomina-se Divisão Política Administrativa (DPA). Essas unidades são criadas através de legislação própria, na qual estão discriminadas sua denominação e informações que definem o perímetro da unidade.
3.3 Município
Para chegarmos a uma definição do que seria município, podemos primeiramente recorrer a um de seus sinônimos. Este seria sinônimo de unidade territorial que compõe o pacto federativo. A zona rural é formada pelos povoados e distritos rurais. O município surge por uma necessidade de expansão territorial e de delimitação da cidade no momento de desenvolvimento ou de crescimento. Para a definição de município, Meirelles (1957, p. 70) ao destacar o artigo 87 da Constituição de Alagoas evidencia que: “município é a circunscrição do território do Estado na quais cidadãos, associados pelas relações comuns de localidade, de trabalho e de tradições, vivem sob uma organização livre e autônoma, para fins de economia, administração e cultura”.
Já a Constituição do Estado do Maranhão de 1989 em seu artigo 141 versa que: “o Município, unidade territorial com autonomia política, administrativa e financeira, organiza-se e rege-se pelos termos da Constituição Federal, desta Constituição e da respectiva Lei Orgânica.
A estrutura do município é representada em números limitados, onde quem governará é o representado pelos poderes Executivo, exercido pelo prefeito, e Legislativo, sediado na câmara municipal (também chamada de câmara de vereadores) onde é criado projetos e leis para a melhoria da cidade.
Ao mesmo tempo o município é considerado um agrupamento de pessoas variadas com suas obrigações, direitos e deveres dos cidadãos. Veiga (2007, p. 135): “propõe que os municípios brasileiros sejam separados em cinco escalões... mediante combinação do tamanho e da densidade populacional”
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3.4 Zona Urbana
É necessário ter um marco teórico sobre a definição de área urbana. Entretanto deve-se observar o desenvolvimento de diversos fatores como: a globalização, capitalismo, e a ampliação do comercio local, no sentido de definir uma área urbana. Assim para Corrêa (2000 p. 07):
[...] como centros da cidade, local de concentração de atividades comerciais, de serviços e de gestão, áreas indústrias, áreas residências distintas em termos de formas e conteúdo social e de lazer e, entre outras, aquelas de reserva para futura expansão. Este complexo conjunto de usos da terra é, em realidade, a organização espacial da cidade ou, simplesmente, o espaço urbano, que aparece assim como espaço fragmentado.
A zona urbana é constituída por um universo de delimitação da própria cidade, ou que seja considerada, pois suas características sendo diretas ou indiretas. Tendo assim em seu conteúdo a produção da vida humana, e ao mesmo a possibilidade de apropriação do local.
Para observar as diversas mudanças que podem ocorrer em uma área urbana ao decorrer dos tempos nos aspectos de desenvolvimento econômico, social e político de uma cidade é preciso que haja uma discussão conceitual das categorias que permeiam essas transformações. Com isso tudo surgiu o desenvolvimento urbano onde é diferenciado a própria expansão do urbano e a complexidade do fator de apoio do crescimento econômico e da modernização tecnológica que aparece no aumento da área urbana. Segundo Carlos (2007, p. 47):
As formas cambiantes da grande cidade que se expressam nas interdições e transformações, nos usos dos lugares, criam, portanto, um processo de „estranhamento/reconhecimento‟. A transformação na grande cidade é marcada pela queda dos referenciais, pelo desaparecimento das marcas do passado histórico lido na paisagem, presenciada na vida cotidiana (que ocorre com a destruição dos bairros, com a construção das vias de trânsito rápido, com a produção de edifícios) como aponta Baudelaire. As formas urbanas se transformam, redefinindo os passos, criando ausências, revelando-se enquanto negação da identidade em função das destruições dos referenciais urbanos que sustentam a vida e a memória.
Os diversos problemas que ocorrem hoje nas áreas urbanos são muitos complexos devido o processo de urbanização desordenada com a falta de saneamento nas redes publica, saúde, educação, entre outros fatores que preocupação a população de cidade.
3.5 Zona Rural
Vários autores abordam que o rural é tudo aquilo que está fora da linha periférica urbana, a Organização Comercial de Desenvolvimento e Economia (OCDE) considera rurais as localidades que tenham densidade populacional inferior a 150 hab./km² (ou, no caso especifico do Japão, 500 hab./km²). Conforme esta definição, cerca de um terço (35%) da população da OCDE vive em espaços rurais que cobrem mais de 90% de seu território. A zona rural é considerado devido numero da população de habitantes onde que varias partes são divididas por vilas, lugarejos etc. Segundo Veiga (2007, p. 146):
Em primeiro lugar, é preciso que seja enfatizando que o Brasil é mais rural do que oficialmente se calcula, pois a essa dimensão pertencem 80% dos municípios e 30% da população. Um atributo que nada envolve de negativo, já que algumas das principais vantagens competitivas do século XXI dependerão da força de economias rurais. São estas as duas principais conclusões a que se chega quando se analisa a atual configuração territorial do país tendo presente os mais recentes indicadores sobre o destino da ruralidade nas sociedades humanas mais avançadas. Para isso é preciso superar a abordagem dicotômica, mas sem cair na ilusão de que estaria desaparecendo a histórica contradição urbano-rural.
O Brasil apesar de ser um país com toda a sua aparência urbana ele é considerado rural devido sua riqueza agrícola principalmente com sua população onde 28% das regiões rurais são bastante remotas, e a maioria das pessoas vivem em delimitação territorial. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) considera urbana toda sua sede (cidade) e de distrito (vila), sejam quais forem suas características tanto estruturais ou funcionais.
De acordo com Veiga (2007, p. 134): “[...] as sedes dos 4.485 municípios do Brasil rural são vilarejos e as sedes dos 567 municípios intermédios são vilas, das quais apenas uma parte se transformará em novas cidades”.
Para se deduzir a zona rural de pequeno porte tem sofrido uma grande evasão populacional, devido à aglomeração onde são criados novos municípios com características rurais com crescimento populacional tão significativo para os diversos serviços da economia da localidade. Em outro caso a zona rural vem se desenvolvendo de forma que a economia crescem a cada instantes devido a produção (agricultura intensiva). A ruralidade traz consigo uma mudança na qualidade das três dimensões fundamentais da ruralidade: a relação com a natureza e além dela a relação rural urbano e as relações de proximidade (FAVARETO, 2006)
De acordo com os registros dos debates da 58ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (2006, p. 31)
Segundo Veiga para diferenciar áreas urbanas e rurais é preciso levar em conta alguns aspectos. Geralmente adota-se a perspectiva de que o urbano é um ecossistema ultra artificializado e rural é aquele intocado. Mas às vezes, pode ocorrer exatamente o contrario, como é o caso de áreas em que há agricultura intensiva”. Por isso, ele derrubou um dos argumentos comumente usados na classificação de áreas rurais; „a agricultura não pode servir como um critério de identificação do rural‟.
Para melhor esclarecimento do rural Prado Junior (2007, p. 53) diz que: “é na medida em que a grande exploração rural se expande e prospera, ou pelo contrario se retrai e entra em decadência, que inversamente o setor secundário se restringe (no primeiro caso), e no outro se estende e ganha terreno”. È que quando a grande exploração se fortalece e prospera, ou, em outras palavras, se torna rendoso 'negócio', ela tende a se ampliar e absorver um máximo de extensão territorial e a força de trabalho.
3.6 As Cidades Brasileiras
Para discutirmos a linha histórica das cidades brasileiras é preciso voltar ao inicio do século XX, sob a égide da linha desenvolvimentista, atrelada a industrialização, e a aceleração e a expansão de algumas cidades brasileiras, que deixaram de ser cidades rurais e passaram a ser cidades urbanas, com crescimento desordenado.
O Brasil é considerado um país com mais da metade da sua área rural, ou seja, tem em sua área 63% rural e apenas 37% são considerados urbanos ou zonas de transição, onde que os 63% esta incluída tanto as cidades grandes como as cidades de pequenos portes que através da industrialização está começando a se desenvolver (VEIGA, 2007).
Desta forma, a fim de nos levar a uma reflexão a respeito das cidades brasileiras na contemporaneidade, Carlos (2009, p. 32-33):
Refletir, hoje, sobre a cidade no Brasil significa pensá-la enquanto materialização do processo de “urbanização dependente”, em que as contradições emergem de modo mais gritante, e a acumulação da riqueza que caminha pari passou com a miséria, leva a um tipo de reivindicação diferenciada, se comparada àquelas emergentes nos países ditos desenvolvidos. A maior metrópole da America Latina, e principal cidade brasileira – São Paulo - são a expressão mais gritante do processo de reprodução da capital em nível mundial. Aqui 3 milhões de pessoas vivem em cortiços, 1,5 milhões em favelas e 60% das construções da cidade são feitas pelo sistema de autoconstrução.
Para que ocorresse um salto significativo para o desenvolvimento das cidades brasileiras a industrialização trouxe aspectos positivos no alcance das projeções e metas desenvolvimentista, sendo que este mesmo processo trouxe a tona aspectos negativos, como a migração das pessoas da zona rural para a zona urbana, ocasionando principalmente problemas relacionados à: habitação, infraestrutura, saneamento básico, poluição, desmatamento, desemprego e a desqualificação profissional.
Ressalta-se que parte desta problemática está diretamente ligada a ausência de planejamento urbano, devido ao crescimento urbano desordenado e a falta de políticas públicas condizentes.
Diante deste cenário Damiani (2001, p. 55) nos aponta que “a aceleração dos mecanismos da industrialização e de crescimento do capitalismo aparecerão como fatores de diferenciação do povoamento. Sua concentração radical é o resultado mais notável, isto é, o fenômeno das grandes cidades”. Com a ocupação do solo urbano surge a reprodução socioespacial, onde podemos observar as mudanças que ocorrem no Brasil no inicio do século XX, tanto que se refere às transformações de muitas cidades, quanto à realidade do crescimento, ou seja, da expansão territorial. Maricato (2000, p. 150) expõe que:
Embora a urbanização da sociedade brasileira se dê praticamente no século XX, sob o regime republicano, as raízes coloniais calcadas no pratimonialismo e nas relações de favor (mando coronelista) estão presentes nesse processo. A terra é um nó na sociedade brasileira... também nas cidades. A legislação é ineficaz quando contraria interesses de proprietários imobiliários ou quando o assunto são os direitos sociais.Da mesma forma, ao discorrer sobre o mundo globalizado e as metrópoles brasileiras Maricato (2001, p. 15) enfatiza que “o processo de urbanização recria o atraso através de novas formas, como contraponto a dinâmica de modernização”. Entende-se que o modelo de urbanização vigente no Brasil exclui/ segrega diversos grupos sociais em nome do progresso e da modernidade, uma justificativa sem fundamento para a ideologia de que o espaço urbano e a cidade pertencem a todos aqueles que o articulam e o fragmentam ao mesmo tempo (CORRÊA, 2000).
No entendimento de Carlos (2007, p.187):
No Brasil, através da reprodução do espaço urbano, podemos perceber as mudanças que ocorrem no mundo moderno, tanto no que se refere às transformações das cidades, quanto da vida urbana, pois a realidade urbana revela-se enquanto prática sócio-espacial. Significa dizer, que do ponto de vista da Geografia, o processo de urbanização não se explicita pelo simples crescimento da cidade – através do movimento migratório, ou do comportamento demográfico –, mas em seus conteúdos: o modo de vida urbano com seus valores culturais e suas novas relações espaço temporaisA migração das pessoas dos estados nordestinos, mineiros, paulistas e paraenses para a Região Centro-Oeste nos anos 60,70 e 80 foram muito concentrados nos estados de Goiás e no Distrito Federal, onde ocorreu um grande desenvolvimento para Brasileiro nesses anos. Segundo Santos (2009, p. 32):
Entre 1960 a 1980, a população vivendo nas cidades conhece aumento espetacular: cerca de cinqüenta milhões de novas habitantes, isto é, um número quase igual à população total do País em 1950. Somente entre 1970 e 1980, incorpora-se ao contingente demográfico urbano uma massa de gente comparável ao que era a população total urbana de 1960. Já entre 1980 e 1990, enquanto a população total terá crescido 26%, a população deve ter aumentado em mais de 40%, isto é, perto de trinta milhões de pessoas.
A população brasileira vive em sua aglomeração, principalmente com o avança da própria urbanização, que a revalorização do rural é freqüentemente devido à busca de uma melhoria de vida, e isso acontece em todo o país. Já para Singer (2002, p.136):
No Brasil, certas cidades do Norte e do Nordeste, como Belém e Fortaleza, têm crescido mais depressa, nos últimos, do que São Paulo. O capitalismo não dispõe de mecanismos, a mão ser a intervenção estatal, que obriguem o capital a se orientar para as áreas onde há disponibilidade de força de trabalho. Como a mobilidade de força de trabalho não é perfeita, o sistema acabou por adotar planos de desenvolvimento o regional que tem por finalidade precípua suscitar fluxos de capital para as áreas mais atrasadas.Com o aumento da população das cidades do Norte e Nordeste teve um crescimento devido o próprio desenvolvimento, tanto em questões industriais e turísticas para essas cidades. Ao discorrer sobre as problemáticas encontradas nas cidades brasileiras na atualidade Villaça (2003, p. 29) demonstra que:
A cidade brasileira é hoje o país. O Brasil está estampado nas suas cidades. Sendo o país, elas são a síntese das potencialidades, dos avanços e também dos problemas do país. Vamos falar dos problemas. Nossas cidades são hoje o locus da injustiça social e da exclusão brasileiras. Nelas estão a marginalidade, a violência, a baixa escolaridade, o precário atendimento à saúde, as más condições de habitação e transporte e o meio ambiente degradado. Essa é a nova face da urbanização brasileira.De forma a dar continuidade ao debate sobre o panorama atual das cidades brasileiras Schvasberg (2003, p. 53) explicita que:
Portanto, as cidades brasileiras como expressão do processo de urbanização elitista e truncada que caracteriza o desenvolvimento nacional apresentam, no geral, um alto grau de concentração espacial dos serviços, equipamentos e infra-estrutura pública; alta concentração de renda em bairros bem equipados e cada vez mais exclusivos. Aumento da ocupação irregular solo urbano; deslocamento da população de baixa renda para as áreas mais distantes do centro da cidade e desprovidas de urbanização ou para as áreas insalubres, como as encostas de morro; declínio das finanças municipais e da capacidade de o Estado intervir na cidade; deficiência do transporte coletivo público e acelerado crescimento da violência urbana, entre outros fenômenos.Com o crescimento desordenado das cidades brasileiras de uma forma geral, evidenciaram-se diversos tipos de irregularidades socioespaciais urbanas com a própria população. A urbanização cresce a todo o momento desde as cidades pequenas a grandes cidades, e com isso incluir os problemas trazidos com a transformação ou com desenvolvimento de um local habitado.

Um comentário:
Uma boa ideia, divulgar os trabalhos geográficos. Parabéns
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